Sobre o evento

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A partir das últimas décadas do século XIX, o parto ingressou no âmbito da medicina e, aos poucos, foi se transformando em um evento completamente medicalizado. Esse processo histórico se ampliou fortemente no decorrer do século XX, trazendo importantes vantagens relacionadas, principalmente, à diminuição dos índices de mortalidade materna e neonatal. No entanto, a intensificação da medicalização do nascimento também aponta para problemas, à medida que a excessiva tecnologização tem gerado críticas e insatisfações principalmente no que concerne às consequências clínicas, físicas e emocionais do excesso de intervenções.

O processo de medicalização do parto e suas consequências é um desafio para a sociedade brasileira. A grande utilização da cesariana é o principal exemplo desse problema. Embora a Organização Mundial de Saúde postule que a cesárea deve ser utilizada em um índice próximo a 15% da totalidade dos nascimentos, no Brasil, mais da metade dos nascimentos, em 2012 foram feitos por meio dessa cirurgia. Além disso, em desacordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), observa-se também um excessivo uso de diversas intervenções no parto, como apontado na pesquisa “Nascer no Brasil” da Fundação Oswaldo Cruz.

Em sentido inverso, vive-se um momento de mudanças e desafios à assistência obstétrica, inclusive impulsionados pelo movimento de humanização do parto e outros agentes. Os movimentos sociais de mulheres em defesa da integridade corporal e psicológica no processo de parturição estão, cada vez mais, envolvidos em ações públicas que defendem o direito ao parto normal e humanizado. No campo da pesquisa acadêmica, também vem surgindo diferentes iniciativas que se voltam para a temática das práticas de parto, os usos e abusos da cesariana, as questões referentes à escolha da via de parto e a violência obstétrica.

O Seminário Internacional Medicalização do Parto é um produto do projeto PROEP Medicalização dos Nascimentos (CNPq/Fiocruz) e será realizado no auditório do Museu da Vida – Fiocruz, entre os dias 22 e 23 de outubro de 2018. Com o evento, procuramos contribuir para o campo da história do nascimento e do parto no Brasil. Além disso, em outro campo de análise, buscamos colaborar para o avanço das discussões sobre o cenário da assistência ao parto e direitos reprodutivos.

O evento será composto por quatro mesas temáticas que discutirão a medicalização do parto através de diferentes eixos temáticos: “Mesa 1: Locais e cenários de parto”, “Mesa 2: Práticas e intervenções”, “Mesa 3: Violência obstétrica” e “Mesa 4: Nascimento e Risco”. Além das mesas temáticas, teremos uma conferência sobre Medicalização do parto e uma mesa-redonda “Saberes sobre o parto”, com a presença de profissionais da assistência (obstetrizes, obstetras, enfermeiras obstétricas, doulas) e representantes de movimentos de mulheres, para debater acerca da situação atual da assistência ao parto no Brasil.

Chamada para trabalhos:

O Seminário contará também com apresentação de trabalhos na modalidade pôster. Assim, convidamos pesquisadores/as sobre o tema da medicalização do parto a enviar seus resumos. Aceitaremos trabalhos de graduados, pós-graduandos ou pós-graduados em qualquer área de formação.

Os resumos deverão ter até 2.500 caracteres (incluindo espaços) e deverão ser enviados para o email pesquisamedicalizacao@gmail.com até o dia 05 de agosto de 2018.

O resultado dos trabalhos selecionados será divulgado no dia 20/08/2018.


Comissão organizadora:
Luiz Antonio Teixeira (COC/ Fiocruz), Andreza Nakano (Escola de Enfermagem Anna Nery/ UFRJ), Cassia Roth (University of Edinburgh), Marina Nucci (COC/ Fiocruz) e Fernanda Loureiro (IMS/ Uerj).